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FIV, Infertilidade, Miomas e adenomiose

Adenomiose e infertilidade: protocolo de FIV para engravidar

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A adenomiose pode dificultar a implantação do embrião, aumentar o risco de aborto e exigir um protocolo de FIV diferente do convencional.

Sim, a adenomiose pode estar associada à infertilidade. Isso pode acontecer por inflamação na musculatura do útero, excesso local de estrogênio, alteração da janela de implantação e resistência à progesterona. Na fertilização in vitro, esses fatores podem ser enfrentados com um protocolo individualizado, que costuma envolver transferência de embriões congelados, bloqueio hormonal antes da transferência, uso de inibidores da aromatase em casos selecionados e acompanhamento cuidadoso da progesterona.

Quando a adenomiose entra na jornada da infertilidade

Para muitas mulheres, a adenomiose só aparece na conversa depois de uma trajetória frustrante: tentativas de gravidez que não evoluem, embriões de boa qualidade que não se implantam ou perdas gestacionais que se repetem sem uma explicação clara.

Durante muito tempo, a adenomiose foi vista como uma condição mais comum em mulheres mais velhas ou que já haviam tido filhos. Hoje, sabe-se que ela também pode estar presente em mulheres jovens, inclusive em pacientes que estão justamente tentando engravidar.

Quando a infertilidade aparece junto da adenomiose, a mensagem principal é que existe caminho. A FIV pode ser considerada, mas precisa ser planejada de forma diferente da FIV convencional, porque o útero com adenomiose pode responder de maneira menos favorável ao ambiente hormonal da estimulação ovariana e da transferência embrionária.

Por que a adenomiose merece avaliação especializada?

A adenomiose ganhou relevância na medicina reprodutiva porque passou a ser reconhecida como uma possível causa de infertilidade, falha de implantação após FIV e abortos de repetição.

Um ponto importante é que a adenomiose pode coexistir com endometriose. Por isso, um bom exame de imagem não deve apenas confirmar a presença da adenomiose, mas também avaliar sua extensão e investigar se há endometriose associada na pelve.

Essa leitura conjunta muda a estratégia. O que aparece nos exames precisa ser interpretado junto dos sintomas, da idade, da reserva ovariana, da história reprodutiva e do desejo de engravidar. É nessa integração que a avaliação especializada faz diferença.

Como a adenomiose pode interferir na fertilidade?

A adenomiose acontece quando tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste a parte interna do útero, passa a crescer dentro da musculatura uterina.

Esse tecido dentro do músculo do útero pode gerar um ambiente inflamatório persistente. A inflamação ajuda a explicar sintomas como cólicas intensas e sangramentos uterinos anormais, mas também pode interferir na receptividade do útero ao embrião.

Outro mecanismo importante é o excesso local de estrogênio. Nos focos de adenomiose, há maior atividade da aromatase, uma enzima relacionada à produção de estradiol. Esse excesso hormonal local pode alimentar a inflamação e tornar o ambiente uterino menos favorável à implantação.

A adenomiose também pode alterar a chamada janela de implantação, que é o período em que o endométrio fica mais receptivo ao embrião. Quando essa janela está deslocada ou menos eficiente, mesmo um embrião de boa qualidade pode encontrar dificuldade para se implantar.

Além disso, a doença pode tornar o endométrio mais resistente à progesterona, hormônio essencial para preparar o útero para a gravidez. Essa resistência é um dos motivos pelos quais o suporte hormonal na FIV precisa ser planejado com mais atenção em pacientes com adenomiose.

O impacto depende da extensão da doença

A adenomiose não se comporta da mesma forma em todas as pacientes. A localização, a profundidade e a extensão das lesões podem modificar o impacto sobre a fertilidade.

A adenomiose focal, restrita a uma região do útero, tende a ter comportamento diferente da adenomiose difusa, que envolve maior parte da musculatura uterina. Quando a doença é difusa ou se aproxima da camada interna do útero, o impacto sobre implantação, resposta à progesterona e risco de aborto pode ser maior.

Por isso, a decisão não deve se basear apenas no diagnóstico “adenomiose”. É necessário entender que tipo de adenomiose existe, qual sua extensão e como ela se relaciona com o histórico reprodutivo da paciente.

O que os estudos mostram sobre adenomiose e FIV?

Estudos recentes sugerem que mulheres com adenomiose podem apresentar menores taxas de gravidez clínica e nascidos vivos em ciclos de FIV ou ICSI, além de maior risco de aborto, quando comparadas a mulheres sem a doença.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2024 no BMJ Open descreveu redução nas taxas de gravidez clínica e nascidos vivos, além de aumento no risco de aborto em pacientes com adenomiose submetidas à FIV/ICSI. Esses dados ajudam a explicar por que a adenomiose não deve ser tratada como um detalhe secundário no planejamento reprodutivo.

A mesma linha de evidências aponta estratégias que podem ser consideradas para reduzir o impacto da doença, como congelar todos os embriões e realizar a transferência em um ciclo posterior, com preparo uterino mais controlado.

Por que a transferência a fresco costuma ser evitada?

Durante o estímulo ovariano da FIV, os níveis de estradiol sobem muito acima do habitual. Em pacientes com adenomiose, esse pico hormonal pode intensificar a inflamação uterina e aumentar a resistência do endométrio à progesterona.

Por esse motivo, em muitos casos, prefere-se evitar a transferência embrionária a fresco. Os embriões são congelados e transferidos depois, em um ciclo preparado com mais calma e com menor influência do ambiente hormonal da estimulação.

Essa estratégia, conhecida como freeze-all, permite separar dois momentos: primeiro, a obtenção dos óvulos e formação dos embriões; depois, a preparação do útero para receber o embrião em condições mais favoráveis.

Por que cirurgia e medicamentos isolados nem sempre resolvem a infertilidade?

Diferente da endometriose, em que algumas lesões podem ser removidas cirurgicamente, a adenomiose infiltra a musculatura do útero. Tentar retirar a doença pode exigir incisões profundas no músculo uterino, com risco de sangramento, cicatrizes e impacto sobre a segurança de uma gestação futura.

Por isso, a cirurgia para remover adenomiose não costuma ser a principal estratégia quando o objetivo é engravidar. A retirada do útero, naturalmente, só faria sentido em mulheres com sintomas importantes que não desejam mais gestação.

O tratamento medicamentoso isolado também não costuma resolver a infertilidade, porque pode controlar sintomas e inflamação enquanto está em uso, mas não substitui uma estratégia reprodutiva quando a paciente deseja engravidar.

Nesse cenário, a FIV com protocolo adaptado pode ser considerada uma das principais estratégias para pacientes com adenomiose e infertilidade, sempre dentro de uma avaliação individualizada.

Como funciona o protocolo de FIV adaptado para adenomiose?

O objetivo do protocolo é reduzir o impacto da adenomiose sobre a receptividade uterina e organizar a transferência embrionária em um momento mais favorável.

Na prática, isso costuma começar com a coleta dos óvulos, a fertilização em laboratório e o congelamento dos embriões. A transferência a fresco tende a ser evitada porque o útero pode estar sob efeito de altos níveis de estradiol após a estimulação ovariana.

Depois do congelamento, inicia-se o preparo uterino. Em muitos casos, esse preparo inclui bloqueio hormonal com análogos de GnRH antes da transferência. Essas medicações reduzem temporariamente a produção hormonal ovariana, criando uma espécie de bloqueio medicamentoso reversível. O objetivo é diminuir a atividade inflamatória da adenomiose antes de preparar o endométrio.

Em casos selecionados, os inibidores da aromatase podem ser associados ao bloqueio hormonal. A lógica é reduzir ainda mais a produção local de estrogênio nos focos de adenomiose, buscando um ambiente uterino menos inflamado e mais receptivo.

Outro ponto importante é o suporte de progesterona. Como a adenomiose pode estar associada à resistência à progesterona, os níveis desse hormônio na fase de transferência devem ser acompanhados com atenção. Quando necessário, podem ser usadas vias alternativas, como progesterona intramuscular ou subcutânea, para manter níveis mais adequados.

Essas etapas não devem ser aplicadas como uma receita rígida. O tempo de bloqueio, as medicações, a dose de progesterona e o momento da transferência dependem da extensão da adenomiose, da idade, da reserva ovariana, da presença de endometriose associada e do histórico de FIV da paciente.

Agende uma avaliação para discutir adenomiose, infertilidade e protocolo de FIV de forma individualizada.

Quanto tempo dura o bloqueio antes da transferência?

O tempo de bloqueio hormonal pode variar conforme a extensão da adenomiose e a resposta clínica da paciente.

Em alguns estudos e protocolos, utiliza-se um bloqueio de aproximadamente 40 dias ou cerca de dois meses antes da transferência de embriões congelados. Em outros casos, esse período pode ser ajustado conforme sintomas, exames, resposta ao tratamento e estratégia da equipe.

O ponto principal não é seguir um número fixo para todas as pacientes, mas preparar o útero de maneira coerente com a gravidade da doença e com o objetivo reprodutivo.

Adenomiose e endometriose podem coexistir?

Sim. Adenomiose e endometriose não são a mesma doença, mas podem coexistir e compartilhar mecanismos inflamatórios e hormonais.

Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio cresce dentro da musculatura do útero. Na endometriose, esse tecido aparece fora do útero, podendo atingir ovários, peritônio, intestino, bexiga, ligamentos uterossacros e outras regiões da pelve.

Essa associação é relevante porque muda a investigação e o tratamento. Uma paciente com adenomiose e endometriose profunda, por exemplo, pode precisar de mapeamento pélvico mais detalhado antes de definir se deve seguir para FIV, cirurgia, controle de dor ou preservação da fertilidade.

Quando a infertilidade está em discussão, a avaliação deve considerar também o impacto da endometriose e fertilidade.

Quando uma segunda opinião pode fazer sentido?

Uma segunda opinião especializada pode ser útil quando a paciente já fez FIV com falha de implantação, passou por abortos de repetição ou recebeu o diagnóstico de adenomiose sem uma orientação clara sobre como conduzir o tratamento.

Também pode fazer sentido quando há orientações divergentes: operar ou não operar, transferir embrião fresco ou congelado, usar bloqueio hormonal ou seguir direto para transferência, investigar endometriose associada ou não.

Muitas mulheres chegam à consulta com informações soltas: exames, laudos, ciclos anteriores, embriões congelados, histórico de perdas e sintomas que nunca foram integrados em uma estratégia única. A avaliação especializada ajuda a organizar essas informações e a transformar dúvidas em um plano mais claro.

Por que a decisão não deve ser automática?

Nem toda paciente com adenomiose seguirá o mesmo protocolo. A estratégia deve considerar a extensão da doença, a presença de endometriose associada, a idade, a reserva ovariana, o histórico reprodutivo, o número e a qualidade dos embriões disponíveis e o risco de novas perdas gestacionais.

Em algumas pacientes, a prioridade é formar embriões rapidamente. Em outras, o foco principal é preparar melhor o útero antes da transferência. Há ainda casos em que a investigação de endometriose associada ou de outras causas de falha de implantação precisa entrar na análise.

A melhor decisão é a que equilibra tempo, segurança, chance reprodutiva e controle da doença. O protocolo não deve ser visto como uma sequência automática de etapas, mas como uma estratégia adaptada ao caso.

Quando procurar avaliação especializada

A avaliação especializada deve ser considerada quando existe diagnóstico de adenomiose associado à dificuldade para engravidar, falha de implantação, abortos de repetição ou dúvida sobre o melhor protocolo de FIV.

Essa avaliação também é importante quando a paciente tem sintomas como cólicas intensas, sangramento uterino aumentado, dor pélvica, suspeita de endometriose associada ou exames de imagem que mostram adenomiose difusa ou próxima à cavidade uterina.

Outro cenário que merece atenção é a mulher que já tem embriões congelados e precisa decidir como preparar o útero para a transferência. Nesses casos, rever exames, histórico hormonal, resposta a tratamentos anteriores e estratégia de progesterona pode mudar a condução do caso.

Uma avaliação individualizada ajuda a definir se o caminho envolve FIV, congelamento de embriões, bloqueio hormonal, investigação de endometriose associada, ajuste de progesterona ou revisão completa antes de uma nova transferência.

Agende uma avaliação com o Prof. Dr. Alexander Kopelman.

Perguntas frequentes

A adenomiose causa infertilidade?

Sim. A adenomiose pode dificultar a implantação do embrião e aumentar o risco de aborto por causa da inflamação na musculatura uterina, do excesso local de estrogênio, da alteração da janela de implantação e da resistência à progesterona. O impacto varia conforme a extensão da doença.

Quem tem adenomiose consegue engravidar?

Sim. Mulheres com adenomiose podem engravidar, mas algumas precisam de tratamento reprodutivo. A FIV com protocolo individualizado pode ser considerada quando há infertilidade, falha de implantação, abortos de repetição ou outros fatores associados.

Por que a FIV na adenomiose é diferente?

Porque a adenomiose pode tornar o útero mais inflamado e mais resistente à progesterona. Por isso, em muitos casos, evita-se a transferência a fresco e utiliza-se um preparo uterino mais controlado antes da transferência de embriões congelados.

É possível operar a adenomiose para engravidar?

Em geral, a cirurgia não é a principal estratégia quando o objetivo é engravidar, porque a adenomiose infiltra a musculatura profunda do útero. A conduta deve ser individualizada, mas muitas vezes o tratamento reprodutivo com protocolo adaptado é mais relevante do que tentar remover cirurgicamente a doença.

Adenomiose e endometriose são a mesma coisa?

Não. Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio cresce dentro da musculatura uterina. Na endometriose, ele cresce fora do útero. Apesar disso, as duas condições podem coexistir e precisam ser avaliadas em conjunto quando há dor pélvica ou infertilidade.

Quanto tempo dura o bloqueio hormonal antes da transferência?

O tempo varia conforme o caso. Alguns protocolos utilizam bloqueio por cerca de 40 dias ou aproximadamente dois meses antes da transferência de embriões congelados. A duração ideal depende da extensão da adenomiose, dos sintomas, dos exames e da estratégia definida pela equipe médica.

Adenomiose aumenta o risco de aborto na FIV?

Sim, estudos associam a adenomiose a maior risco de aborto em ciclos de FIV. O protocolo adaptado tem como objetivo reduzir o impacto da doença sobre a implantação e a evolução inicial da gestação, mas não garante resultado.

Considerações finais

A adenomiose pode interferir na fertilidade de forma relevante, principalmente quando altera a receptividade do endométrio, aumenta a inflamação uterina e torna o útero mais resistente à progesterona.

Na FIV, isso exige planejamento. Congelar embriões, preparar o útero em um ciclo separado, considerar bloqueio hormonal, avaliar inibidores da aromatase em casos selecionados e acompanhar a progesterona são estratégias que podem fazer parte de um protocolo individualizado.

O mais importante é evitar decisões automáticas. Em adenomiose e infertilidade, a estratégia precisa nascer da integração entre exames, sintomas, idade, reserva ovariana, histórico reprodutivo e objetivos da paciente.

Agende uma avaliação para entender qual protocolo faz mais sentido para o seu caso.

Referências e leituras complementares

  • Ge L, et al. Adenomyosis and outcomes of in vitro fertilization/intracytoplasmic sperm injection: systematic review and meta-analysis. BMJ Open. 2024.

Sobre o autor

O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 20/06/2026.

Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.

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