Artigo trata a infertilidade sem causa aparente e possibilidade de endometriose oculta, especialmente em pacientes com exames iniciais normais e indicação de FIV.
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Artigo trata a infertilidade sem causa aparente e possibilidade de endometriose oculta, especialmente em pacientes com exames iniciais normais e indicação de FIV.
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Quando todos os exames parecem normais e a gravidez não acontece, a endometriose pode ser uma hipótese a ser considerada, mesmo sem dor intensa ou achados evidentes nos exames iniciais.
Sim, infertilidade sem causa aparente pode estar relacionada à endometriose. Uma revisão sistemática citada no material de base reuniu mais de 2.000 mulheres e encontrou focos de endometriose em cerca de 44% das pacientes avaliadas por laparoscopia, principalmente na forma leve da doença. Ainda assim, a conduta deve ser individualizada, considerando sintomas, idade, reserva ovariana, exames e estratégia de reprodução assistida.
Poucas situações são tão frustrantes quanto tentar engravidar, realizar exames e ouvir que está tudo normal. O espermograma não mostra alteração relevante, a histerossalpingografia parece adequada, o ultrassom pélvico não revela achados importantes e, mesmo assim, a gestação não acontece.
Nesse cenário, o casal pode receber o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente. Esse nome, porém, precisa ser interpretado com cuidado. Ele significa que a investigação inicial não encontrou uma explicação clara, mas não significa que uma causa não exista.
Em algumas mulheres, a causa pode estar em uma endometriose não identificada nos exames básicos, especialmente quando a doença é leve, superficial ou não forma lesões facilmente visíveis nos exames de imagem.
A investigação básica da infertilidade costuma incluir avaliação do sêmen, análise das trompas e exames de imagem da pelve. Esses exames são importantes, mas não conseguem identificar todas as formas de endometriose.
A endometriose superficial, por exemplo, pode não aparecer no ultrassom ou na ressonância magnética. Mesmo exames mais detalhados dependem da técnica, do protocolo utilizado e da experiência de quem realiza e interpreta o exame.
Por isso, quando a história clínica sugere endometriose, um exame normal não deve ser o único elemento para encerrar a investigação.
O material de base cita uma revisão sistemática recente sobre a presença de endometriose em mulheres com infertilidade sem causa aparente. O trabalho partiu de mais de 5.000 publicações, filtradas até chegar a 11 estudos incluídos, somando mais de 2.000 mulheres.
Mais de 1.700 dessas mulheres foram avaliadas por laparoscopia, procedimento que permite visualização direta da pelve. Segundo o material, cerca de 44% apresentavam focos de endometriose identificados na cirurgia.
Entre as pacientes com endometriose, aproximadamente 75% tinham a forma leve da doença e 25% tinham endometriose profunda.
Esses dados não significam que toda infertilidade sem causa aparente seja endometriose. Eles mostram que a doença deve ser considerada como hipótese, especialmente quando existem sintomas sugestivos, histórico menstrual importante ou falhas reprodutivas sem explicação clara.
A endometriose nem sempre se apresenta com dor intensa no momento da investigação da infertilidade. Algumas pistas podem estar no passado da paciente, especialmente na adolescência e no início da vida menstrual.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
Esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas ajudam a orientar uma avaliação mais cuidadosa.
O exame ginecológico cuidadoso continua sendo uma etapa relevante na avaliação da infertilidade, especialmente quando existe suspeita de endometriose.
Durante o exame, o médico pode identificar dor à mobilização do útero, sensibilidade em regiões profundas da pelve, espessamentos, nódulos ou sinais indiretos que não foram valorizados em exames anteriores.
Essa avaliação não substitui os exames de imagem, mas complementa a investigação. Em muitos casos, o diagnóstico ou a suspeita clínica nasce justamente da combinação entre sintomas antigos, exame físico e revisão dos exames já realizados.
Nem sempre. A laparoscopia pode identificar lesões de endometriose, especialmente as superficiais, mas isso não significa que todas as pacientes com infertilidade sem causa aparente devam ser operadas apenas para confirmar o diagnóstico.
A cirurgia tem indicações específicas. Ela pode ser considerada quando há dor importante, suspeita de endometriose profunda com comprometimento funcional, endometriomas, alterações anatômicas relevantes ou outros critérios definidos na avaliação individual.
Em muitas pacientes, a hipótese de endometriose pode ser suficiente para ajustar a estratégia da reprodução assistida sem obrigatoriamente indicar cirurgia.
Uma das mudanças mais relevantes é discutir a transferência de embriões congelados em vez da transferência a fresco.
Na FIV, a transferência a fresco ocorre no mesmo ciclo da estimulação ovariana. Nesse período, os níveis hormonais podem estar elevados, e isso pode não ser o cenário mais favorável para algumas pacientes com endometriose ou suspeita da doença.
Com a estratégia de congelamento, os embriões são preservados e a transferência é realizada em outro ciclo, com preparo endometrial mais controlado. Segundo o material de base, em mulheres com endometriose, a transferência de embriões congelados pode levar os resultados a patamares semelhantes aos de mulheres sem a doença.
Essa decisão, no entanto, não deve ser automática. Ela depende da idade, reserva ovariana, número e qualidade dos embriões, sintomas, achados de imagem e histórico reprodutivo.
Nem toda mulher com infertilidade sem causa aparente tem endometriose. E nem toda mulher com suspeita de endometriose precisa operar ou seguir o mesmo protocolo de FIV.
A decisão deve considerar:
O mais importante é evitar decisões baseadas em um único exame ou em um rótulo genérico. A infertilidade sem causa aparente merece leitura clínica cuidadosa.
A avaliação médica deve ser considerada quando a infertilidade persiste apesar de exames iniciais normais, especialmente se houver sintomas atuais ou antigos compatíveis com endometriose.
Algumas situações merecem atenção:
A avaliação individualizada ajuda a entender se a endometriose pode estar interferindo na fertilidade e qual estratégia faz mais sentido para aquele momento.
A segunda opinião pode ser útil quando a paciente recebeu o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente, mas sente que a investigação não explicou completamente sua história.
Também pode ajudar quando há indicação direta de FIV, falhas de implantação anteriores ou dúvida sobre transferir embriões a fresco ou congelados.
O objetivo da segunda opinião não é atrasar o tratamento, mas organizar as informações, revisar sintomas que talvez tenham sido normalizados e ajustar a estratégia antes de uma decisão importante.
Sim. Em algumas mulheres, a endometriose pode estar presente mesmo sem dor intensa ou alterações nos exames iniciais. Quando a gravidez não acontece e a investigação básica não encontra causa clara, a endometriose deve ser considerada como possibilidade.
O material de base cita uma revisão sistemática com mais de 2.000 mulheres, na qual cerca de 44% das pacientes avaliadas por laparoscopia tinham focos de endometriose. A maioria apresentava forma leve da doença.
Sim. A endometriose superficial pode não aparecer em exames de imagem, mesmo quando realizados corretamente. Por isso, a história clínica, os sintomas e o exame ginecológico continuam sendo importantes.
Não necessariamente. A cirurgia não deve ser indicada apenas de forma automática para confirmar endometriose antes da FIV. A decisão depende dos sintomas, exames, idade, reserva ovariana e estratégia reprodutiva.
Porque, em algumas mulheres com endometriose ou forte suspeita da doença, a transferência de embriões congelados pode permitir preparo uterino mais controlado do que a transferência a fresco. A escolha deve ser individualizada.
Cólicas menstruais fortes desde a adolescência, dor que fazia faltar à escola ou ao trabalho, uso frequente de analgésicos, dor na relação sexual, dor pélvica e sintomas intestinais ou urinários cíclicos podem sugerir investigação mais cuidadosa.
Infertilidade sem causa aparente não deve ser interpretada como ausência definitiva de causa. Em algumas pacientes, a endometriose pode estar oculta nos exames iniciais e só aparecer quando a história clínica é revisitada com mais atenção.
Reconhecer essa possibilidade pode mudar a estratégia da FIV, especialmente na discussão sobre transferência de embriões congelados e necessidade ou não de investigação adicional.
O caminho mais prudente é individualizar a conduta, integrando sintomas, exame clínico, exames de imagem, reserva ovariana e objetivos reprodutivos do casal.
O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 18/06/2026.
Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.
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