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Endometriose

Endometriose no ureter: grupos de risco, diagnóstico e quando operar

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A endometriose no ureter costuma causar poucos sintomas, mas pode comprometer a passagem da urina e afetar o rim. Entender os grupos de risco e manter acompanhamento adequado é essencial em casos de endometriose profunda.

A endometriose no ureter pode ser perigosa porque pode comprimir o ureter, dilatar o canal urinário e, com o tempo, prejudicar a função renal. O ureter é o tubo que leva a urina do rim até a bexiga. Quando a endometriose profunda estreita essa estrutura, a urina pode ficar represada, causando dilatação do ureter e do rim. Como muitas pacientes têm poucos sintomas, o diagnóstico costuma depender de exames de imagem, como ressonância magnética de pelve ou ultrassom transvaginal com preparo intestinal. A conduta deve ser individualizada e, quando há acometimento ureteral confirmado, a cirurgia deve ser programada sem adiamento prolongado.

O que é endometriose no ureter?

A endometriose no ureter, também chamada de endometriose ureteral, acontece quando lesões de endometriose profunda atingem ou comprimem o ureter.

O ureter é uma estrutura fina e delicada, responsável por transportar a urina dos rins até a bexiga. Quando a doença envolve esse canal, pode criar um ponto de estreitamento e dificultar a passagem da urina.

Essa forma da doença exige atenção porque pode avançar de maneira silenciosa. Em algumas pacientes, o primeiro sinal não é dor, mas uma alteração em exame de imagem mostrando dilatação do ureter ou do rim.

Por que esse tipo de endometriose exige avaliação especializada?

A endometriose no ureter está entre as formas mais complexas da doença. Ela envolve uma estrutura do trato urinário e pode exigir planejamento conjunto entre ginecologia e urologia.

Além disso, o diagnóstico pode ser difícil porque muitas pacientes não apresentam sintomas urinários claros. A doença pode estar próxima ao ureter, comprimir o canal ou invadir sua parede. Cada cenário muda o tipo de tratamento e a complexidade da cirurgia.

Por isso, em casos de endometriose profunda, a avaliação não deve se basear apenas na intensidade da dor. Exames de imagem bem feitos e interpretados por profissionais experientes ajudam a identificar risco de progressão e a definir o momento mais adequado da conduta.

Quem tem maior risco de endometriose no ureter?

Nem toda mulher com endometriose tem o mesmo risco de desenvolver acometimento ureteral. De forma geral, mulheres com endometriose superficial costumam ter risco baixo de a doença atingir o ureter. Isso não significa que sintomas devam ser ignorados, mas ajuda a entender que o risco ureteral está mais associado às formas profundas da doença.

O grupo que merece maior atenção é o das mulheres com endometriose profunda. Nesses casos, a doença pode estar próxima de estruturas como intestino, bexiga, ligamentos uterossacros, região retrocervical e ureteres. Mesmo quando o tratamento clínico controla a dor, pode haver crescimento anatômico da doença, o que justifica acompanhamento por imagem em situações selecionadas.

Há ainda um terceiro cenário: pacientes em que a endometriose já atingiu, encostou ou comprimiu o ureter. Aqui, o diagnóstico precisa ser preciso, porque a decisão cirúrgica depende de fatores como dilatação do ureter, impacto sobre o rim e suspeita de invasão da parede ureteral.

O perigo silencioso da endometriose profunda

Uma situação comum ocorre quando a paciente com endometriose profunda melhora dos sintomas com medicação e interrompe o acompanhamento. A melhora da dor é importante, mas não garante que a doença esteja anatomicamente estável.

Algumas mulheres só voltam a investigar a endometriose anos depois, ao parar o contraceptivo para tentar engravidar, ao perceber retorno das cólicas ou diante de dificuldade para engravidar. Nesse momento, os exames podem mostrar que a doença cresceu.

Por isso, em pacientes com endometriose profunda, exames de imagem sucessivos podem ser considerados a cada seis meses ou a cada ano, conforme o caso. O objetivo é detectar crescimento anatômico antes que a lesão alcance o ureter ou aumente a complexidade da cirurgia.

Quando o tema envolve tentativa de gravidez, infertilidade ou planejamento reprodutivo, a avaliação deve integrar também o impacto da endometriose e fertilidade.

Quais sintomas a endometriose no ureter pode causar?

A endometriose ureteral geralmente causa poucos sintomas específicos. Algumas pacientes podem apresentar sangue microscópico na urina, detectado apenas em exame laboratorial. Em outras, não há qualquer sinal urinário evidente.

Na prática, muitas pacientes apresentam sintomas mais relacionados à endometriose profunda como um todo: cólica menstrual intensa, dor pélvica persistente ou progressiva, dor durante a relação sexual, dor para evacuar ou urinar no período menstrual, dificuldade para engravidar ou retorno dos sintomas após suspensão de contraceptivo.

A ausência de sintomas urinários não exclui acometimento do ureter. Esse é justamente um dos motivos pelos quais a vigilância por imagem é importante em casos de endometriose profunda.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico depende da combinação entre história clínica, exame físico, exames laboratoriais quando indicados e exames de imagem direcionados para endometriose profunda.

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal pode mapear lesões de endometriose profunda e avaliar estruturas próximas ao ureter. A qualidade do exame depende do protocolo utilizado e da experiência de quem realiza e interpreta a avaliação.

Ressonância magnética de pelve

A ressonância magnética de pelve com protocolo para endometriose também pode ajudar a caracterizar lesões profundas e orientar o planejamento cirúrgico, principalmente quando há suspeita de acometimento de múltiplas estruturas.

O que chama atenção nos exames

Os achados mais importantes são a dilatação do ureter, a dilatação do rim — chamada hidronefrose — e a presença de uma lesão de endometriose profunda próxima ao trajeto ureteral. Também merece atenção a progressão anatômica em exames seriados, especialmente quando a doença se aproxima do ureter, da bexiga, do intestino ou da região retrocervical.

Quando os exames mostram que a endometriose está próxima do ureter, mesmo sem dilatação evidente, a situação deve ser analisada com cuidado. Em alguns contextos, esse achado pode ser suficiente para forte suspeita ou diagnóstico de acometimento ureteral.

A endometriose no ureter pode afetar o rim?

Sim. Quando a endometriose cria um ponto de estreitamento no ureter, a urina encontra dificuldade para passar. Isso pode causar dilatação do ureter e, depois, dilatação do rim.

Se a obstrução persiste por tempo prolongado, pode haver prejuízo da função renal. Como a evolução pode ser silenciosa, a ausência de dor intensa não deve ser usada como único critério de segurança.

Por isso, quando há dilatação ureteral, hidronefrose ou suspeita de obstrução, a função renal também precisa ser avaliada.

Quando a cirurgia deve ser considerada?

Quando há diagnóstico de endometriose ureteral, a cirurgia costuma ser considerada para liberar a obstrução, tratar a doença profunda e preservar a função renal sempre que possível.

Na maioria dos casos, não se trata de uma emergência para operar no mesmo dia. Porém, diante de acometimento ureteral confirmado, a cirurgia deve ser programada sem adiamento prolongado, especialmente quando há dilatação do ureter ou do rim.

A decisão leva em conta a presença de dilatação urinária, a função renal, a proximidade da lesão com o ureter, a forma extrínseca ou intrínseca da doença, a intensidade dos sintomas, o crescimento anatômico no acompanhamento, outras lesões de endometriose profunda, o desejo reprodutivo e a eventual necessidade de equipe multidisciplinar.

Endometriose ureteral extrínseca e intrínseca

A cirurgia depende da forma como a endometriose acomete o ureter. As duas formas principais são a extrínseca e a intrínseca.

Forma extrínseca

Na forma extrínseca, a endometriose envolve o ureter por fora. Ela pode comprimir o canal e provocar estreitamento, mas não invade diretamente a parede ureteral.

Essa é a forma mais comum, descrita em cerca de 90% dos casos no conteúdo médico de origem. Nessa situação, o tratamento pode envolver a ureterólise, que é a liberação do ureter das lesões e fibroses ao redor.

Forma intrínseca

Na forma intrínseca, a endometriose invade a parede do ureter. Essa forma é menos frequente, descrita em cerca de 10% dos casos.

Quando há invasão da parede ureteral, pode ser necessário retirar um pequeno segmento do ureter junto com a doença e reconstruir o canal. Essa reconstrução pode ser feita por anastomose término-terminal ou, em alguns casos, por reimplante do ureter na bexiga.

Quais cirurgias podem ser feitas?

A escolha da técnica depende da localização da lesão, da extensão da doença, da função renal e da forma de acometimento.

Nos casos extrínsecos, a ureterólise pode ser suficiente. Esse procedimento consiste em liberar o ureter da fibrose e da endometriose ao redor, preservando o canal urinário sempre que possível.

Quando a doença invade a parede ureteral ou causa estreitamento importante, pode ser necessária a ressecção segmentar do ureter. Nesse caso, um trecho do canal é removido e as extremidades são reconectadas.

Em lesões próximas à bexiga ou em situações em que a reconstrução direta não é a melhor opção, pode ser indicado o reimplante ureteral na bexiga. Em alguns casos, utiliza-se também o cateter duplo J para auxiliar a drenagem urinária ou proteger o ureter durante o tratamento. A decisão depende da estratégia cirúrgica e da avaliação conjunta da equipe.

Videolaparoscopia ou cirurgia robótica?

A cirurgia da endometriose ureteral pode ser realizada por cirurgia ginecológica minimamente invasiva, incluindo videolaparoscopia convencional ou cirurgia robótica em casos selecionados.

As duas vias podem permitir tratamento da endometriose ureteral. A escolha depende da anatomia, da localização das lesões, da necessidade de reconstrução, da experiência da equipe e da estrutura hospitalar disponível.

A cirurgia robótica ginecológica pode oferecer benefícios técnicos em procedimentos complexos, como visão ampliada e instrumentos articulados. Ainda assim, não deve ser apresentada como superior para todos os casos.

Por que a equipe multidisciplinar pode ser necessária?

Como o ureter faz parte do trato urinário, alguns casos exigem participação de urologista, principalmente quando há necessidade de reconstrução ureteral, reimplante na bexiga ou avaliação mais detalhada da função renal.

Além disso, a paciente pode ter outras lesões de endometriose profunda, como acometimento intestinal, bexiga, ovários ou região retrocervical. O planejamento precisa considerar todas as áreas envolvidas.

O tratamento clínico resolve a endometriose no ureter?

O tratamento clínico pode controlar sintomas da endometriose em muitas pacientes. Porém, quando existe compressão ureteral, dilatação do ureter ou risco ao rim, a medicação isolada pode não ser suficiente.

Esse é um ponto importante: melhora da dor não significa necessariamente que a doença profunda parou de avançar. Por isso, em pacientes com risco de acometimento ureteral, o acompanhamento por imagem continua sendo importante.

Por que a decisão não deve ser automática?

Nem toda endometriose profunda chegará ao ureter, e nem toda paciente precisará da mesma cirurgia. Ao mesmo tempo, uma obstrução ureteral não deve ser ignorada.

A decisão precisa equilibrar risco de progressão, presença de dilatação urinária, função renal, controle dos sintomas, desejo de engravidar, complexidade cirúrgica, risco de reoperação, necessidade de preservar órgãos e função urinária e experiência da equipe.

O objetivo é evitar tanto uma cirurgia desnecessária quanto o atraso no tratamento de uma lesão que pode afetar o rim.

Quando procurar avaliação especializada

A avaliação médica especializada deve ser considerada quando há endometriose profunda, suspeita de acometimento ureteral ou alteração em exames de imagem.

Isso é especialmente importante quando existe lesão próxima ao ureter no ultrassom ou na ressonância, dilatação do ureter, hidronefrose, alteração da função renal, sangue na urina, dor pélvica progressiva ou crescimento da doença em exames de acompanhamento.

Também vale retomar a avaliação quando a paciente ficou muitos meses ou anos sem acompanhar a endometriose profunda, principalmente se pretende engravidar ou se está em dúvida entre tratamento clínico, cirurgia e reprodução assistida.

Uma avaliação especializada ajuda a organizar exames, sintomas, riscos e opções de tratamento de forma individualizada.

Perguntas frequentes

A endometriose no ureter tem sintomas?

Geralmente causa poucos sintomas específicos. Algumas mulheres podem ter pequeno sangramento na urina, detectado em exame laboratorial, mas muitas descobrem o acometimento ureteral por acaso em uma ressonância magnética ou ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

Quem tem mais risco de endometriose no ureter?

Mulheres com endometriose profunda têm maior risco. Já mulheres com endometriose superficial costumam ter risco baixo de acometimento ureteral. Por isso, no grupo de doença profunda, o acompanhamento por imagem pode ser importante mesmo sem sintomas.

A endometriose no ureter pode afetar o rim?

Sim. A endometriose pode estreitar o ureter, dificultar a passagem da urina e causar dilatação do ureter e do rim. Se a obstrução permanece por muito tempo, pode haver prejuízo da função renal.

Endometriose no ureter é urgência?

Não costuma ser uma urgência para cirurgia imediata no mesmo dia, mas também não deve ser adiada por tempo prolongado quando há diagnóstico confirmado ou risco ao rim. A cirurgia deve ser programada conforme avaliação médica.

Como é a cirurgia da endometriose ureteral?

Depende da forma da doença. Na forma extrínseca, a cirurgia pode liberar o ureter das lesões ao redor. Na forma intrínseca, pode ser necessário retirar um segmento do ureter e reconstruir o canal, às vezes com reimplante na bexiga.

Tenho endometriose profunda e parei de acompanhar. O que fazer?

Vale retomar a avaliação médica e os exames de imagem. Mesmo sem sintomas e mesmo em uso de medicação, a endometriose profunda pode crescer. O acompanhamento ajuda a detectar progressão antes que a doença alcance estruturas como o ureter.

Considerações finais

A endometriose no ureter é uma forma menos comum, mas potencialmente importante, da endometriose profunda. O principal risco é que ela pode evoluir com poucos sintomas e, ainda assim, comprometer a passagem da urina e a função renal.

Pacientes com endometriose profunda não devem interromper o acompanhamento apenas porque a dor melhorou. O controle por imagem pode ser necessário para identificar crescimento anatômico e prevenir cirurgias mais complexas.

Quando há suspeita ou confirmação de acometimento ureteral, a avaliação especializada ajuda a definir o momento do tratamento, a técnica cirúrgica e a necessidade de equipe multidisciplinar.

Referências e leituras complementares

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Sobre o autor

O Prof. Dr. Alexander Kopelman é Médico Ginecologista — CRM-SP 103.944 — com RQE 945031 em Endoscopia Ginecológica e RQE 945032 em Reprodução Assistida. É MD, MSc e PhD pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Foi Professor Adjunto do Departamento de Ginecologia da UNIFESP/EPM entre 2019 e 2024 e atualmente atua como Colaborador Científico e Professor Voluntário, com atuação no Ambulatório de Endometriose. Tem atuação em endometriose profunda, dor pélvica crônica, endometrioma, adenomiose, infertilidade, reprodução humana, preservação da fertilidade, cirurgia ginecológica minimamente invasiva e cirurgia robótica. É Console Surgeon certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci Xi pelo IRCAD América Latina. Atende em São Paulo, na Clínica Evince, e realiza procedimentos cirúrgicos nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

Conteúdo revisado clinicamente pelo Prof. Dr. Alexander Kopelman em 19/06/2026.

Aviso médico: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica presencial ou avaliação individualizada. Cada caso deve ser analisado por profissional habilitado.

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